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Página Inicial Bilhetes Cândidos
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"Bilhetes Cândidos" é um espaço de reflexão sobre a Espiritualidade Inaciana, berço espiritual das Filhas de Jesus.
É a espiritualidade do cotidiano, um modo de contemplar a realidade e compreendê-la pelos olhos de Deus. Sua fonte é o Mistério da Encarnação. Deus, ao se fazer um de nós, transforma tudo em sagrado. A vida torna-se o altar onde celebramos, todos os dias e de todas as maneiras, nossa relação com a Trindade, através da nossa relação com o próximo, com a natureza, com o universo.
Tudo nos aproxima do Criador, em especial o ser humano. Tudo que é humano traz a marca do divino. Rejeitar o que é humano é exilar-se de Deus, pois Ele abraçou a nossa humanidade ao se fazer Deus Conosco. E um Deus que se faz Homem é gesto apaixonado de alguém apaixonante.
Madre Cândida, fundadora das Filhas de Jesus, apaixonou-se por esse Deus e sua proposta. Sua vida foi resposta a esse convite: "Eu toda e só para Deus".
Os textos aqui partilhados querem ser pistas para os que buscam encontrar esse Deus, compreender e realizar a sua vontade.
Bem vindos.
 
Eduardo Machado
Coordenador de Pastoral



Histórias de um certo Brasil

- Tio Dudu, me conta a história do Brasil?
- Ô André, foi mais ou menos assim...

Tudo começou quando um certo Pedro saiu de Portugal à procura de umas índias. Mas o vento soprou pru lado errado, ou faltou vento, sei lá, o fato é que ele se perdeu. Perdeu mas achou, ou descobriu, ou invadiu uma ilha grande, tão grande que virou um país onde se plantando tudo dava.
E deu pau-brasil, ouro, cana de açúcar, café e confusão, com um outro Pedro, que se dizia o primeiro, mesmo tendo havido aquele Pedro, o Cabral, antes dele.
Mas o Pedro primeiro, que era filho de um tal João, que era o sexto, apesar da gente não ter notícias dos outros cinco, resolveu ser imperador no grito. E foi. E o filho dele, menino ainda, foi o segundo. Pedro e imperador. A filha do segundo Pedro, ou terceiro, se contar o Cabral, uma tal Isabel, assinou uma lei libertando os negros que eram escravos. A lei Áurea acabou sendo a certidão de óbito da monarquia imperial.

Pedro, o segundo, juntou a família e se mandou pra Europa, deixando aqui, instalada, uma tal de República, que já começou fardada. Entrava e saía marechal. De vez em quando vinha um civil, entre eles um presidente, que, antes, havia sido ditador, até foi pra guerra, foi não, mandou brasileiros pra guerra, lá nas Europas. Acabou a guerra e o governo dele também, tanto que voltou corrido pra sua fazenda, lá no Rio Grande.
    Retornou, depois, nos braços do povo, eleito no voto, direitinho. Só que um negão amigo dele arrumou encrenca na rua, e o presidente deu um tiro no peito, peito dele, não do negão.
    Foi uma confusão. Mas assumiu o vice e a coisa parecia que ia tomar rumo. Até veio um presidente que ria pra todo mundo, gostava de fazer serenata, dançar e resolveu construir uma cidade no meio do nada. Construiu, mudou a capital para lá, com dança e tudo. O problema é que a cidade tinha muita poeira e ficava muito longe do Brasil.
    Depois dele veio outro, que falava esquisito e tinha mania de vassoura, não sei se por causa da poeira ou da sujeira da nova capital, e que de repente renunciou, ninguém entendeu bem por quê. Então deu outra confusão danada, mas acabou assumindo o vice, de novo, que começou a ter umas ideias e foi derrubado pelos militares, que botaram um general na presidência, aliás, um não, vários, um atrás do outro.
    Teve um marechal baixinho, que não tinha pescoço nem paciência, depois aquele outro que teve um treco e, no lugar dele, assumiu uma junta militar. Era farda demais.
    Na sequência vieram mais três generais, que pareciam não gostar muito de ser presidentes; um bravo, que escutava futebol num radinho; um alemão, que não ria de jeito nenhum; e um João, que não era o sétimo, e gostava mesmo era de cheiro de cavalos.
Mas isso é uma outra história que um dia te conto...
    Então entrou esse outro, que seria vice do que teve o treco antes da posse, tinha um bigode de morsa, achava que era poeta e até ganhou um fardão. Ô sina.
    Esse vice, mais um que virou titular, fez uma lei proibindo os preços de subir, correu atrás de boi no pasto, deu calote dentro e fora do país, distribuiu televisão e rádio prus amigos, ganhou mais um ano pra ser presidente, disparou a inflação e deu com os burros n’água.
    Ninguém aguentava mais. Foi quando voltou a eleição direta que o pessoal de farda não gostava e não deixava, e apareceu um monte de candidatos, entre eles um sujeito barbudo, peão, de língua presa, que deu um susto em todo mundo e quase ganhou.
    Perdeu no segundo turno para um almofadinha que tinha aquilo roxo, olhos esbugalhados (talvez os olhos estivessem esbugalhados porque aquilo tava roxo) e chamava todo mundo de minha gente. Ele gostava de correr, andar de moto e fazer discurso pra gente dele. Deu um tiro na inflação que o poeta tinha deixado, errou feio, tomou o dinheiro da poupança do povo, distribuiu entre outra gente, essa dele, de verdade, construiu uma cascata em casa e, por causa de uma briga com o irmão, quase foi pra cadeia junto com o tesoureiro, que depois morreu, parece que em briga de mulher. Parece...
    O almofadinha saiu com o rabo entre as pernas, pela porta dos fundos do palácio, escapou da cadeia, foi prus Estados Unidos e aí, adivinhem?  Entrou de novo um vice, que gostava de pão de queijo e desfile de carnaval.
    Todo mundo dizia pra ele sair, mas, mineiro teimoso e topetudo, resolveu ficar. Relançou o fusca e inventou um novo dinheiro, bolado por um ministro, que deu certo, o dinheiro e o ministro, ora vejam só...
    E o ministro virou presidente, e gostou tanto que repetiu a dose.
    Depois dele veio um sujeito que era a cara do Brasil, sabe, aquele peão de língua presa, que quase ganhou do almofadinha, pois é, chegou lá.
    Diziam que ele ia mandar invadir o apartamento da gente, que ia fazer confusão, que era um sapo barbudo, faltava um dedo e falava tudo errado.
    Pois não é que o cara até que fez muita coisa certa? Comprou um avião, viajou pra todo lado, deu palpite na cozinha de todo mundo e até ensinou gringo a transformar tsunami em marola.
    E o povão o elegeu de novo e, agora, parece que o cara vai sair e deixar a vaga para uma coroa, ou melhor, uma mulher, coisa que nunca antes se viu na história desse país.
    Se ela ganhar vai ser a primeira presidente (ou presidenta?) e quem sabe, começar uma nova história.

Pois é, André, foi mais ou menos assim...


 

Eduardo Machado

31/08/2010

Inspirado em texto publicitário do Jornal Folha de São Paulo



Correeeeio!

     Há quanto tempo não ouço esse grito do carteiro. Há quanto tempo não recebo uma carta de verdade, com envelope, selo e mal traçadas linhas.
      Hoje, caixa de correio é depósito de folhetos e panfletos de publicidade e propaganda política. Raro receber uma carta de verdade. Aliás, a moçada de hoje, em tempos de emails, Orkuts, Twitters, Blogs, MSNs e outras engenhocas de comunicação em tempo real, talvez nunca tenha vivido a emoção de escrever ou receber uma carta, daquelas que trazem, junto com notícias, abraços, beijos, afeto, carinho....
      Pois hoje, recebi uma carta assim. Na verdade, fui carinhosamente abraçado por uma carta. E ela veio de longe, das brumas do tempo, de além mar...
     Essa carta foi escrita em abril de 1911, em Salamanca, na Espanha. Teve que esperar por 42 anos até que eu nascesse e mais 57 de vida vivida para chegar às minhas mãos. 99 anos entre o remetente e o destinatário!
    Bem, na verdade a carta de que falo foi escrita originalmente para Maria, uma freira espanhola que veio como missionária para o Brasil no início do século passado. Quem a enviou foi Cândida Maria de Jesus, a Madre Cândida, fundadora da Congregação das Filhas de Jesus.
    A carta chegou às minhas mãos pelas artes da Cidinha, coordenadora comunitária do colégio Imaculada, e inspiração da Irmã Cecília e do Odilon, professor de Formação Humana e Cristã, na comemoração do dia da Madre Cândida, 9 de agosto. Cada professor e funcionário, na hora do lanche, recebeu um envelope com o trecho de uma carta da Madre Cândida. O envelope subscritado em nome de cada um dava um caráter pessoal à missiva.
    Recebi a minha e li atento, curioso.
    Madre Cândida fala de coisas corriqueiras, familiares, como costumam falar as cartas. Preocupa-se com um resfriado que acometeu Irmã Maria. Pede notícias e estima melhoras. Faz referência a uma certa encomenda de prosaicos grãos de bico que devem ter dado sabor a algum prato na cozinha do convento.
    Cartas são pessoais, confidenciais. Certamente Madre Cândida não imaginava que as suas seriam objeto de interesse e leitura de destinatários tão distantes no tempo e no espaço. Aliás, Cândida, por muito tempo, sequer se imaginava capaz de escrever cartas, uma vez que só se alfabetizou aos 18 anos. Até então, era uma simples empregada doméstica.
    Adivinho nas entrelinhas, o cuidado atento, a ternura sensível dessa mulher. Fala de coisas banais do dia a dia com o mesmo entusiasmo com que trata os desafios da missão. Preocupa-se com a saúde  daquelas mulheres corajosas que enviou ao outro lado do oceano, “ao fim do mundo”, como costumava dizer, para, em tudo, amar e servir...
    Um colega, lendo sua carta, me pergunta, intrigado: porque o Dia da Madre Cândida é comemorado na data da sua morte? Com a minha carta na mão, respondo: na tradição cristã é assim. O dia dedicado a um santo, em geral, é a data da sua morte. A razão é simples: para a fé cristã, morte é plenitude, é realização plena da missão. Na morte alcançamos a eternidade, mistério maior que nos espera.
    Vivos, somos um permanente “vir a ser”. No tempo, estamos sempre em construção, em peregrinação.  A morte plenifica tudo. Nela, com Deus, Aquele que é, SOMOS!
    Enquanto vivos, santidade é “um sonho a ser almejado sempre”, como dizia Madre Cândida. E a santidade a que ela se refere é tão simples quanto suas cartas. Consiste em reconhecer e amar a Deus, nos irmãos.
    Madre Cândida será canonizada em breve. Um fato mais raro e extraordinário que receber uma carta. E é lendo suas cartas que aprendemos que o extraordinário se realiza no “ordinário” do cotidiano mais comum. A santidade de Madre Cândida cabe em cada palavra que escreveu, que disse, que traduziu em gestos de ternura e afeto. Essas palavras e gestos ganharam o mundo pelas palavras e gestos de suas filhas espirituais, as Irmãs Filhas de Jesus, que nos permitiram conhecer a personalidade dessa mulher de desejos profundos, de grande e generosa paixão.
    Madre Cândida, em geral, começava suas cartas dizendo: “A puríssima Virgem nos cubra com seu manto”. Hoje, suas palavras atravessam os dias e noites dos tempos para nos cobrir de esperança e alegria, para nos dizer dos seus sonhos que podem ser os nossos sonhos, da sua missão que é a nossa missão.
    Você também recebeu uma carta. A resposta, está por ser escrita, nas páginas ainda em branco do livro da sua vida.


Eduardo Machado
10/08/2010


Nos passos da santidade
 
1
            Junto com a comunidade do Colégio Imaculada estou na contagem regressiva para o grande momento, dia 17 de outubro, quando Cândida Maria de Jesus, a nossa Madre Cândida, fundadora da Congregação das Filhas de Jesus, será canonizada em cerimônia a ser presidida pelo Papa Bento XVI na Praça de São Pedro, no Vaticano, em Roma.
            Por causa desse clima de expectativa, tudo o que diz respeito ao assunto me chama a atenção, como a reportagem que vejo na TV sobre Irmã Dulce, da Bahia. Dezoito anos após sua morte, seus restos mortais foram exumados e expostos na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Salvador. Segundo o relato do repórter e as imagens mostradas, o corpo da religiosa estava mumificado e seu hábito preservado.
As relíquias - denominação dos católicos para os restos mortais de uma pessoa antes da canonização - ficaram à mostra no altar da igreja. O evento foi uma etapa do processo de beatificação da religiosa.
 
 2
 
 
Em abril do ano passado, o papa Bento XVI assinou o decreto que elevou o “anjo bom da Bahia”, como era conhecida Irmã Dulce, à condição de venerável - quando foi declarada “Serva de Deus” -, o primeiro passo na longa caminhada para a canonização.
Ao serem encerradas todas as cerimônias, o corpo de Irmã Dulce foi sepultado em definitivo na Capela das Relíquias, da mesma igreja.
A elevação de Irmã Dulce à condição de beata tem como base um milagre ocorrido em Sergipe e validado juridicamente pela Santa Sé em 2003. Após a beatificação, o Vaticano precisa reconhecer mais um milagre atribuído à religiosa para que ela possa ser considerada santa.
Todas essas informações foram detalhadamente ressaltadas e explicadas pelo repórter.
            O processo de canonização da nossa Madre Cândida começou muitos anos atrás, também passou por todas essas etapas e chega, agora, à glória dos altares. É justo, pois, o nosso orgulho, o nosso regozijo, mas a maneira como a questão é apresentada, por vezes, me incomoda.
            A mídia coloca quase toda a importância e significado da canonização na exigência de milagres que atestem a santidade do candidato ou candidata à santidade. É compreensível. O conceito de santidade da mídia, incentivado por um certo modelo religioso, precisa do espetáculo.
A mídia, e também esse tipo de religiosidade, vivem de espetáculo. E quanto mais espetacular for o espetáculo, melhor, ainda que seja mórbido (na minha visão), como a exposição do corpo mumificado de Irmã Dulce.
            Penso que a vida da freira baiana é muito mais digna de exposição do que seu corpo morto. A mim fala mais forte a lembrança dos muitos miseráveis que ela ajudou a vestir do que saber que seu hábito está preservado.
            Mas, para a mídia e para certos religiosos, dentro e fora das hierarquias, o que importa é destacar o aparentemente inexplicável, assombroso, espetacular. Milagres fazem parte desse roteiro.
            Tenho dificuldades milagres. Aliás, o Deus em que creio detesta milagres. Mas, como disse, há religiões que anunciam, ou melhor, fazem marketing justamente do milagre. Há líderes religiosos que constroem verdadeiros impérios, com catedrais que parecem castelos, onde vendem milagres com dia e hora marcados. E na esteira dos milagres, reescrevem o ditado popular:
Templo é dinheiro...”
Não chega a ser novidade. A minha igreja católica viveu também essa fase. E, até hoje, alguns dos meus irmãos católicos continuam presos à necessidade do milagre capaz de alimentar o “espetáculo da fé”.
Minha fé é mais “ordinária”. O extraordinário, para mim, é mais humano. Creio mais em mística do que em “mágica”. Curvo-me humildemente diante do milagre maior, a vida. Admirado, qual menino, espanto-me com o mistério da liberdade, do bem e do mal, encanto-me com os gestos fraternos e os sorrisos de esperança que eles despertam, assusto-me com o egoísmo e as cicatrizes que ele deixa em corpos e corações.
Anos após a morte de Madre Tereza de Calcutá, outra candidata a santa do nosso tempo, foram revelados trechos do seu diário espiritual que mostravam uma mulher cheia de dúvidas, angústias e fragilidades. Como me senti confirmado!
Quantas vezes, como Madre Cândida, Irmã Dulce, Madre Tereza e tantos outros, contemplando a simplicidade da história da minha vida, constato que o milagre sou eu, o milagre é o que permito que Deus faça de mim.
Quantas vezes, impotente, entreguei-me nas mãos desse Deus, sem me esquecer que Ele me deu minhas próprias mãos, imagem e semelhança das suas, para transformar a realidade em que vivo.
A vida de Madre Cândida, que estou aprendendo a admirar, certamente é maior que os milagres a ela atribuídos. Por isso, prefiro reverenciar sua vida, tão parecida com a vida de tanta gente que conheço. Gente que traz a santidade justamente para mais perto de nós, não por milagres, que respeito, mas por gestos fraternos, humanos, que viveram e deixaram como sinal e herança.
Andando nas ruas do centro da minha cidade, penso que aquela mulher que aguarda para atravessar a rua com seu filho, o malabarista que se vira nos trinta segundos do sinal, o vendedor ansioso à porta da loja, a multidão que avança entre os carros, apressada, entre eles, em meio a eles estão santas e santos anônimos que nunca merecerão um olhar, uma imagem, uma lembrança sequer da mídia ou das igrejas.
É... tem gente que não acredita em santos e milagres.
Eu vivo trombando em santos e acho que tudo é milagre.
Eduardo Machado
14/06/2010






 

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Calendário de Atividades para Agosto:

Prezados pais e alunos do 6º, 7º, 8º e 9° ano

Em função das várias mudanças ocorridas no calendário de avaliações, segue um cronograma de atividades que acontecerão ainda no mês de agosto, pois a segunda etapa encerrá no dia 20.08:

 

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